Oi gente, estive enviando as letras da banda para o Terra, e resolvi postar aqui no blog também, quando sair as letras da Arte-Facto farei o mesmo.
Aqui vão as letras, as músicas que não estão aqui, é por que são instrumentais.
Abraços.
1 - Água em Mim
(Camila Melo Puni, em homenagem a Nomy Lamm¹ – nomylamm.com)
¹Naomi Elizabeth Lamm é uma ativista política, cantora, compositora, musicista, escritora, dramaturga, lésbica, judia, gorda e que só tem um pé. Saiba mais sobre ela em http://acaofeminista.blogspot.com/2009/09/its-big-fat-revolution-nomy-lamm.html
Blog da Camila: http://camilapuni.blogspot.com/
É quando o guarda-chuva não suporta mais as gotas d'água
Escorrem por seus punhos cerrados
são dores agora, articuladas.
Os joelhos já não caem mais como caiam antes
Uma força em nó se desata
é a água entrando por todos os cantos
Indústria Espetacular
Nos fazem os olhos brilhar
E lágrimas como palavras a escorrer
sozinhas escondidas dentro de caixinhas
branca, magra, hetero!
E de dentro dos ouvidos uma voz ecoa
E do pulsar das veias multiculturais flores perfumam
E as cores de cabelos se faz revolução
E da estima interligada à razão compõem música
Força Feminista
Entrelaçada a memórias
Ali está ela.
Mulheres que chegam e saem
Mulheres que saem e fazem para ficar
O corpo que te veste é água, incolor afórmica
água que te ferve, te borbulha!
Então faça da sua água, imensidão.
Borbulhe em ondas do mar
Quebrando rochedos
Engolindo navios
Você é energia renovável, fresca e limpa!
2 – Hipocrisia
(su suzete)
Depois da foda, eu acendi um cigarro. Eu sei que estava morrendo de câncer. Mas naquela hora não pensei no vício, nem no tabaco, nem nas multinacionais, nem nos camponeses contaminados por agrotóxicos, nem nos testes em animais. Eu pensei no glamour. A hipocrisia passou longe quando elevei minha imagem ao ponto mais precioso de todos, quando aquele ar blasé ficaria, meu rosto estaria, gravado na mente dele. Nua. Acho mais provável ele lembrar do meu corpo – carne – seios – bunda, ali, para seu bel-prazer. Ainda é cedo, a madrugada não acaba, copos de licor virados no carpete. E tudo se reduzia ao momento: ali, aquele entojo nas entranhas que não quer sair, aquele cara na minha cama que não me deixa dormir.
4 – Luta Livre
(su suzete)
O sol ainda não havia nascido mas havia muita coisa para fazer
Eu não queria levantar, mas é assim que tem que ser
Desça as escadas pra ver o que acontece lá embaixo
Acenda a luz, está escuro
Não existe monstro no porão ou atrás do armário
Os que me inspiram morreram e os que lutam estão sumindo
Eles estão sendo presos e agredidos por levantarem o dedo contra as coisas erradas
Eles estão sendo boicotados e perseguidos
Eles estão... pelo menos estão
Tantas coisas podem nos parar, mas eu não ligo
Tantas coisas podem nos deter, mas eu não me importo
Tantas coisas podem acontecer... mas isso eu já sei
Corremos, acordados, lúcidos
Fazemos as coisas com as asas abertas
Se o problema fosse só correr atrás
Se o problema fosse apenas correr mais
7 – Dança dos Garous
(su suzete)
O sol
O céu
Olha pros meu pés sujos de terra
Meus cabelos cheios de areia
Agora fecha os olhos
Pra viver a noite inteira
Como se o dia fosse maré cheia e o que você enxerga é só o que é capaz de imaginar
O som é percebido de maneira etérea e se mistura com as folhas que dançam no ar
Os uivos e cantos se entrelaçam e nada é como você pensa que vai estar
O céu
Não só
O sol
Sente como ele é encoberto pelas nuvens e como a água vai chegar
Os dias que se passam num segundo
Como o amanhã irá estar?
Colhe os frutos por quem tu vives
Sede de dias físicos e noites irreais
Observa a moldura verde da paisagem
O pôr-do-sol na beira da estrada
A dança dos garous na luz da lua
O cintilar da manhã que desponta
Sente a brisa passar e levar
O que não se precisa mais
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